Confira abaixo a íntegra da matéria postada pela Record News. Link: Polilaminina: como funciona tratamento inovador para lesão medular - RECORD NEWS INTERNACIONAL - seu site de notícias
Um tratamento inovador desenvolvido no Brasil para recuperar movimentos perdidos após lesões graves na medula espinhal começou a ser testado em humanos. A substância, chamada polilaminina, entrou na fase 1 de estudos clínicos após autorização da Anvisa e será aplicada inicialmente em cinco voluntários com idades entre 18 e 72 anos, que sofreram lesões há menos de 72 horas.
Autorização da Anvisa marca início dos testes em humanos
A autorização foi concedida na terça-feira (5) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os testes fazem parte da fase 1 do estudo clínico, etapa dedicada principalmente à avaliação da segurança do medicamento em humanos. Os procedimentos serão realizados na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e no Hospital das Clínicas, sob supervisão de um comitê independente da Anvisa.
O projeto é conduzido pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica brasileira Cristália. A equipe trabalha no desenvolvimento da polilaminina desde 2007, com foco na regeneração do tecido nervoso em casos de lesão medular.
O que é a polilaminina e como ela atua
A polilaminina é um medicamento desenvolvido a partir da laminina, proteína naturalmente produzida pelo organismo humano e fundamental para a manutenção da estrutura celular e regeneração do tecido nervoso. Em casos de lesão medular, ocorre o rompimento dos axônios — estruturas responsáveis por conduzir impulsos nervosos entre o cérebro e o restante do corpo.
Segundo Tatiana Sampaio, a interrupção dessa comunicação é o principal fator que leva à perda de movimentos. A hipótese dos pesquisadores foi a de que a aplicação de uma substância com estrutura semelhante à laminina poderia reconstruir essa “fiação elétrica” rompida, restabelecendo a condução dos estímulos nervosos.
A partir dessa ideia, foi desenvolvida a polilaminina, com estrutura idêntica à proteína natural, mas adaptada para uso como fármaco.
Resultados em animais e experiências anteriores
Antes de chegar aos testes em humanos, o medicamento foi aplicado em ratos com lesão medular. De acordo com os pesquisadores, os animais recuperaram todos os movimentos, e foi observada a formação de uma ponte entre os dois pontos da fratura onde a substância foi aplicada.
Além disso, Tatiana Sampaio relatou uma análise anterior envolvendo oito pacientes. Dois morreram no início do tratamento, enquanto os outros seis apresentaram recuperação de movimentos. Entre os casos citados está o de Bruno Drummond, de 31 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de trânsito em 2018 e, segundo a pesquisadora, recuperou completamente os movimentos.
“O paciente estava tetraplégico e não teria mais capacidade de movimentar nada do tronco para baixo, e conseguiu recuperar completamente os movimentos”, afirmou Tatiana. Exames de eletrofisiologia indicaram que a condução elétrica, inicialmente inexistente, foi sendo gradualmente restaurada
Próximas etapas e possível entrada no SUS
Com a fase 1 em andamento, o objetivo agora é confirmar a segurança da polilaminina. Caso os resultados sejam positivos, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, quando a eficácia do tratamento passa a ser avaliada de forma mais ampla. O registro do medicamento só poderá ser solicitado após a conclusão da terceira fase.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do avanço científico nacional, mas afirmou que ainda não há previsão para a incorporação do tratamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, essa discussão só ocorrerá após a fase 3, quando a Conitec analisará a eficácia e a viabilidade da tecnologia para uso na rede pública.